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Um síndico para 13 prédios
Jornal Extra
Lara Mizoguchi
07/04/2013


Honotato Netto, de 60 anos, cuida de 13 prédios.

São 13 condomínios para vigiar: quatro na Tijuca, um em Madureira, dois em Olaria, dois em Valqueire, dois no Recreio, um no Méier. Honorato Netto, de 60 anos, é o síndico profissional de todos. Há, ainda, o seu próprio condomínio, em Madureira, em que também é o responsável. Mas ele garante: consegue dar conta de todos. Só precisa se organizar.

- Vou em cada um três vezes por semana. Confiro o livro de ocorrências, recolho as contas a pagar, converso com porteiros, verifico a limpeza. E, claro, participo de todas as assembleias - afirma Netto, formado em Administração.

Para o coordenador de gestão da administradora de condomínios Apsa Luiz da Cal, dez é o número máximo ideal de condomínios para atuar.

- Temos um cálculo do tempo em que ele fica para executar as funções, fazer relatórios e se deslocar - diz.

Comodidade
Segundo Netto, os síndicos profissionais surgiram porque, atualmente, as pessoas não têm tempo para cuidar dos empreendimentos:

- Antes, tinham muitas donas de casa e aposentados. Agora, já não há tantos.

Hainer Carvalho, coordenador de gestão da mesma administradora, concorda:

- A maioria dos moradores não tem tempo para se dedicar ao condomínio. A comodidade é o diferencial.

Honorato visita cada condomínio três vezes por semana. Ele confere o livro de ocorrências, recolhe as contas a pagar, conversa com porteiros e verifica a limpeza.

Pré-requisitos para ser um bom síndico profissional
Construção
O síndico profissional precisa entender pelo menos o básico de construção civil, para saber quando o prédio precisa de manutenção preventiva ou corretiva.

Matemática
O síndico profissional deve ter facilidade com cálculos, porque vai analisar planilhas e ver se o condomínio está arrecadando mais ou menos do que deveria.

Leis
Como a pessoa que ocupa o cargo é também o responsável jurídico do empreendimento, é fundamental que conheça a fundo as leis condominiais e as trabalhistas.

Jogo de cintura
O profissional deve ter bom relacionamento com os condôminos porque vai lidar com muitas pessoas dentro do edifício e, frequentemente, terá que resolver conflitos.

Olhar crítico
Deve ter um olhar atento para verificar se a limpeza do condomínio está sempre em dia.

Ser atento
Deve prestar atenção às datas de validade de extintores de incêndio e ao funcionamento de elevadores, por exemplo

A contratação de um síndico deve estar prevista em convenção
Carleci Campos diz que um síndico deve ser atento e pensar muito ao tomar uma decisão

Lara Mizoguchi

Para que um condomínio seja gerenciado por um síndico profissional é preciso saber se a convenção permite. Só a vontade de ter um síndico contratado não é suficiente. É necessário que a convenção do condomínio determine que isso é possível.

- Existem convenções que limitam o exercício da função a condôminos - diz a gerente do departamento jurídico do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio), Solange Santos.

Nesses casos, somente com a modificação da convenção pode-se utilizar essa forma de gestão. Para isso, é necessário que ao menos dois terços dos condôminos sejam a favor.

Da mesma forma que os síndicos moradores, os profissionais devem ser eleitos em assembleia. Podem, também, ser contratados com carteira de trabalho assinada.

- Caso seja contratado como autônomo ou como empregado, pela CLT, o prazo deverá coincidir com o tempo previsto na convenção para o mandato do síndico - explica Hamilton Quirino, advogado especialista em Direito Imobiliário.

Entre os cuidados na hora de escolher a pessoa, a dica é buscar o histórico e as referências profissionais da pessoa que vai assumir o cargo. - Deve, ainda, ter conhecimento da matéria, para tomar as melhores decisões - afirma a gerente geral da rede Protel, Cristiane Salles. Solange também diz que é importante prestar atenção à disponibilidade de tempo da pessoa que será contratada:

- Deve-se avaliar o tempo que ela vai ficar no condomínio. Acho que ao menos duas ou três vezes por semana para tomar pé das questões - conta.

Morador também tem seu espaço
Um jogo de xadrez. É assim que Carlese Lopes de Campos, de 50 anos, síndico do Condomínio Edifício Márcio, na Tijuca, define seu papel.

- O síndico deve ser atento e pensar muito ao tomar uma decisão para que não seja errada e não cause uma fatalidade. Ele deve ser um estrategista - diz.

Ele também acredita que o síndico é um conciliador entre as pessoas e morar no condomínio que administra facilita o relacionamento com os vizinhos. Há nove anos, Campos, que é formado em Administração, é o responsável pelo condomínio onde mora. Resolveu assumir a tarefa pois é o mais jovem entre os condôminos. A maioria deles, aposentada, pediu para que Carlese ficasse no cargo por mais tempo.

- Antes, tinha um rodízio entre os moradores - diz.

Justamente pela idade dos vizinhos, Campos, que teria direito a pró-labore - o equivalente a um salário mínimo - decidiu abrir mão do benefício. E ainda paga o condomínio.

- Gosto de administrar e prestar ajuda a uma sociedade, que, neste caso, é o meu condomínio.

Ele ainda conta com o apoio de uma administradora de condomínios, em sua gestão.

- Ela me auxilia em questões de leis e na contratação de profissionais e serviços.

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