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Barra: donos de apartamentos da Torre H esperam há 40 anos as obras
JB Edição Eletônica
06 de agosto de 2008

Felipe Sil, Jornal do Brasil

RIO - Os proprietários dos 454 apartamentos de um dos imóveis abandonados mais enigmáticos da cidade – a famosa torre redonda da Barra, oficialmente chamada Abraham Lincoln e apelidada de Torre H, construída há quase 40 anos – escaparam, recentemente, de ver o sonho de pegar as chaves de suas casas ser destruído mais uma vez. A 3ª Vara Empresarial do Rio anulou o leilão de 190 apartamentos que nunca haviam tido compradores, e que daria à firma vencedora a obrigação de realizar a reformulação do prédio. 

Os interessados pela compra – a RC Vieira Engenharia Limitada e a Capital 1 Investimentos Imobiliários – foram considerados pela Justiça suspeitos de envolvimento com o ex-deputado federal Múcio Athayde, que era presidente da construtora do edifício na década de 70, a falida Desenvolvimento Engenharia. A decisão foi comemorada pelos adquirentes. 

Embora torçam pelo leilão dos 190 imóveis, eles acreditam que o grupo interessado pela compra tinha o objetivo de, mais uma vez, não terminar a construção do edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com 35 andares, 120 metros de altura e um dos primeiros a ser erguidos na Barra. O objetivo seria forçar os adquirentes a vender seus imóveis por preços mais baratos. 

– Com isso, poderiam reconstruir o edifício e vender os novos apartamentos a preços muito mais caros. Eles iam oferecer para alguns valores irrisórios, como de R$ 5 mil. Na época, o valor de compra foi de aproximadamente R$ 80 mil. Muitos aceitaram, cansados de esperar – lamenta o engenheiro da obra, proprietário de um dos apartamentos e membro da Associação dos Adquirentes da Torre H, Heraldo da Silva. – Fomos contra e agradecemos à Justiça por ter nos ouvido. A 3ª Vara Empresarial do Rio mostrou um compromisso social. 

A organização dos compradores de apartamentos na Torre H já foi informada pela Justiça de que um novo leilão será feito. O dinheiro a ser obtido irá para a massa falida da Desenvolvimento Engenharia e a empresa vencedora terá a obrigação de reformular todo o edifício, numa obra que deverá custar R$ 15 milhões e terá o investimento dos adquirentes como contrapartida. 

– Essa é a única maneira de viabilizar a obra. Caso contrário, fica inviável retomar as construções do local – explica Hamilton Quirino, advogado da associação. 

O drama dos compradores é grande. Muitos já faleceram sem obter a chave dos apartamentos. Em 2004, o edifício chegou a ser invadido por 300 famílias. A Justiça, na época, mandou expulsar os invasores. Foi quando foi criada a associação de adquirentes, que instalou uma sede no terreno e contratou vigias para proteger o local. 

O presidente da RC Vieira Engenharia Limitada, Celso Roberto Rodrigues, nega as acusações e garante não entender o porquê do leilão ter sido anulado. 

– O síndico queria que eu apresentasse licença de obras, orçamento e garantias de condições financeiras para a reforma, além de um cronograma. Ainda nos pediram um prazo de 15 dias. Quando respondi que não poderia apresentar todos esses requerimentos, houve problema – lamenta. – É mentira que oferecemos valores irrisórios para comprar os imóveis. Quando mostramos uma intenção até social de concluir aquela obra, ficamos impedidos. Tínhamos todos os estudos para a reforma feitos e condições financeiras para o investimento. 

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