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Casa própria
Comprar um imóvel retomado pode sair pelo menos 30% mais barato, mas exige disposição e preparo
Jornal O Globo
Rio, 27 de maio de 2008

VIVIAN PEREIRA NUNES - O Globo Online

RIO - O Feirão da Casa Própria da Caixa Econômica Federal, que acontece de 5 a 8 de junho no Riocentro, é uma boa oportunidade para quem deseja comprar um imóvel retomado, aproveitando seus significativos descontos, de pelo menos 30%, sem precisar participar de uma concorrência pública ou de um leilão. " Comprar um imóvel não é comprar uma geladeira. Quando se trata de um imóvel retomado, a cautela deve ser ainda maior " 

A Caixa vai oferecer 860 imóveis retomados no Feirão, em venda direta, a qual pode ser financiada e usar recursos do FGTS. Entretanto, é necessário redobrar os cuidados antes de fechar este tipo de negócio, em especial, se você tem pressa para morar. 

Os imóveis retomados são unidades perdidas pelos mutuários em dívida a partir do 30º dia de inadimplência, independentemente do valor que este já pagou de seu financiamento. Seu preço sai bem mais baixo porque o banco cobra um valor igual ou um pouco superior ao prejuízo que teve no financiamento não cumprido. Todavia, a maioria dessas unidades ainda está habitada pelo antigo proprietário no momento da venda e desocupá-lo pode levar anos. Além disso, o interessado não tem garantia de poder visitar o imóvel antes da compra, porque isso dependerá da concordância do atual ocupante. Para os imóveis vazios, a visita é agendada pela Caixa. 

O superintendente da Caixa no Rio, Domingos Vargas, lembra que o objetivo do banco não é retomar imóveis, mas, quando isso se torna inevitável, o montante arrecadado nestas vendas é investido de volta na construção de novos empreendimentos e na carteira de crédito.

- Fazemos um esforço grande de renegociação e temos observado que do plano Real para cá o número de inadimplentes tem caído de forma significativa. A taxa passou de 9% para 4% nos últimos dez anos. Em especial, nos últimos cinco anos, que a renda vem melhorando - explica.
- A partir do Plano Real, tivemos um equilíbrio da economia. Antes, a situação econômica desequilibrava os contratos. Os novos financiamentos já não geram saldo devedor. No SAC, por exemplo, nós oferecemos prestações decrescentes - acrescenta.

Caixa vai distribuir revista com lista dos imóveis retomados
No Feirão, quem estiver interessado em adquirir um imóvel retomado deve procurar um dos corretores credenciados no convênio Caixa/Sindimóveis, que estarão na área de negócios do evento. Para facilitar a busca, o banco vai distribuir no local, no primeiro dia, uma revista com a lista dos imóveis disponíveis por bairro, com endereço, preço mínimo e situação (ocupado ou não).

Para ter uma idéia antes disso da oferta de imóveis retomados, basta acessar o site da Caixa e clicar no menu à direita, na seta de Imóveis à Venda. No Rio de Janeiro, há 1.735 unidades à disposição.

O negócio pode ser interessante, mas os especialistas alertam também para os riscos. É importante lembrar que a maioria desses imóveis retomados são ocupados por inadimplentes que um dia passaram pela mesma feliz experiência da compra financiada do seu imóvel. E uma vez comprado o imóvel retomado, é de sua responsabilidade providenciar a desocupação dele, o que pode levar meses ou até anos.

Na opinião do advogado Hamilton Quirino, especialista em direito imobiliário, o comprador interessado em um imóvel retomado deve contar com uma assessoria jurídica desde o início, para avaliar a documentação da propriedade e saber se o negócio vale a pena.

- Comprar um imóvel não é comprar uma geladeira. Quando se trata de um imóvel retomado, a cautela deve ser ainda maior - avalia.
- Bons negócios nessa área costumam ser feitos quando o comprador já conhece o imóvel ou pelo menos o prédio onde ele fica - acrescenta.

Retirar o ocupante é mais rápido se o contrato prevê alienação fiduciária 
Segundo Quirino, a retirada do ocupante de um imóvel retomado é mais fácil nos contratos mais recentes, regidos pelas regras da alienação fiduciária, em que o processo de retomada de posse é extrajudicial, a partir de 30 dias de inadimplência. - Nesses casos, o processo é sumário. O comprador vai arcar com os ônus da ação para conseguir a ordem de despejo, mas vai conseguir esvaziar o imóvel em três ou quatro meses - avalia.

No caso dos contratos antigos, em que os contratos são hipotecários, o processo de execução é obrigatoriamente judicial, pode passar por várias instâncias e levar anos.

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